"Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, se não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine."
(I Coríntios 13.1)


sábado, 4 de setembro de 2010

Inspiração

Onde teria se escondido?
Há dias tento descobrir, mas a busca parece interminável.
Quanto mais me esforço, menos consigo. Isso é angustiante.
Já estava acostumada. Bastava um pedaço qualquer de papel e uma caneta.
Tudo o que sentia se materializava.
Meus medos, inseguranças, anseios, revoltas.
E agora, não consigo. É como se tivesse sido abandonada pela única coisa que ainda me pertencia.
Ela era minha e só minha. Ninguém podia tirá-la de mim. Pelo menos era o que eu pensava.
O carpinteiro precisa da madeira. O oleiro do barro. Eu da inspiração.
Todas as vezes em que não podia te ver, te tocar, te ouvir, te sentir, corria para ela.
Sempre encontrava consolo.
Não tenho você. Não tenho ela.
Parece que a levou consigo.
Longe. Está longe, mesmo tão perto.
Estou diante de você, mesmo fugindo tanto.
Continuo à sua espera. Nesse gostar profundo e silencioso.
Nesse segredo que só direi quando me perguntar.
Embora consiga ler no meu olhar, quando olhamos de maneira sutil e demorada um para o outro.
Enquanto não vem, preciso dela para suportar sua ausência.
Devolva-me a inspiração!

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Só Eu Sei

Quase sete da noite. Já estou na terceira estação desde que embarquei.
Os pensamentos estavam tão distantes que nem havia notado.
Há horas a dúvida persiste. Tentei me distrair, mas todas as coisas me levam à estaca zero.
Não sei paro logo ali ou se sigo viagem.
Quero te ver, mas será que é o melhor?
Meu coração dispara e aperta repetidas vezes. Não me preocupo. É normal. Desde pequena isso acontece, basta me ver diante de uma decisão.
Eu sei que nem imagina como me sinto agora. Sei também que não sabe o motivo.
Talvez nunca tenha demonstrado nada, pelo contrário, só me afastei de você.
Sei que não sabe o quanto te gosto. Se soubessse estaria comigo, tenho certeza.
Sei também que você não sabe o que quer, por isso, tantas buscas frustradas.
Não sabe quantas outras vezes já me enchi de esperança. Só eu sei como sofri depois.
Sei que não adianta dizer que desisti de te ter. Já tentei e não funcionou.
Sei que te esquecer seria muito bom, mas não sei quando esse sentimento vai me deixar.
Assim, prefiro acreditar e sonhar que virá.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Um Livre Coração

Ele não mede consequências. Não é racional. Não aprende com erros anteriores. Não obedece. Não pode ser dominado. Não gosta de se sentir aprisionado.
É livre e de tão livre se acorrenta aos seus impulsos.
Ilude-se facilmente. Basta um sorriso para ficar todo bobo.
Algumas poucas palavras o convencem daquilo que quer acreditar.
As tantas trocas de olhares, talvez insignificantes para o outro, o fazem crer que é correspondido.
Ele sonha todos os dias, todas as noites, todo minuto. Se engana a cada simples gesto.
É uma criança ingênua, que por mais avisada que seja, insiste em acreditar naquilo que deseja.
Agarra-se ao fio de esperança cada vez mais fino, insistindo no que parece cada dia mais difícil.
Quer desesperadamente expor tudo o que sente, mas teme a rejeição. Apavora-se ao imaginar que pode ser desprezado e virar motivo de gozação.
Se pudesse demonstrar o quanto está envolvido...
Se tivesse pelo menos um sinal de que também é correspondido...
Se sentisse que a única coisa que falta é a oportunidade, o momento certo...
Ah! Ele é livre e por ser livre tem o direito de sentir e deixar de sentir.
Apaixonar-se e magoar-se. Machucar-se e curar a ferida.
Sonhar, desejar e acreditar.
Ele é livre e por ser livre continua preso ao querer amar e encontrar o seu par.

domingo, 25 de julho de 2010

Pode sentir?

O silêncio seria absoluto, não fosse o vento que soprava em direção das árvores, fazendo as folhas se movimentarem como uma bela valsa.
A noite estava encantadora. Podia sentir o vento suave acariciar meu rosto. O cheiro da terra ficou mais intenso depois da chuva fina do começo da manhã.
Já havia perdido a noção do tempo que estava ali. Era quase fim de tarde quando deitei na grama para olhar o céu. O tempo passou e nem notei. Estava tão envolvida com a beleza do que via que desliguei completamente de qualquer outra coisa.
Vi o sol se pôr devagar, dando lugar à lua. Linda! Estava magnífca aquela noite. Um esplendor!
O azul delicado da bela tarde foi se misturando à escuridão que trazia consigo o começo de uma noite ímpar.
A sensação de paz que sentia era inexplicável. As estrelas produziam um efeito mágico, como se tivessem sido pintadas ao redor da lua pelo mais sensível artista. Refletiam um brilho intenso que iluminava a negra noite.
Fechei os olhos e respirei fundo. Senti algo diferente. Um outro perfume parecia se espalhar. Não acreditei. O encanto do ambiente certamente estava me fazendo imaginar coisas demais.
Permaneci com os olhos fechados, mas o aroma se intensificava. Senti algo delicado passear entre meus cabelos que estavam espalhados pela grama. Não resisti, abri os olhos e vi. Era você.
Estava ali, diante de mim. Foi o seu perfume que invadiu a noite. Foram seus dedos que deslizaram entre meus cabelos.
Me pegou pela mão, me levantou e me olhou profundamente, daquele jeito que só nós dois entendemos. Com a ponta do dedo acompanhou cada curva do meu rosto, se aproximando cada vez mais até tocar meus lábios. Mais uma vez nos olhamos e enfim nos rendemos ao sentimento há tanto tempo escondido. Um beijo longo e inimaginável.
Foi sublime, romântico, maravilhoso.
Nosso encontro imprevisível, transformando a esperança em realidade, no mais incrível cenário que pode existir.
Não sei quanto tempo ficamos ali. Só sei que ainda sinto você. Sei que está aqui. Eu estou aí. Sente?

sexta-feira, 11 de junho de 2010

A Ilusão

Hoje não encontrei estrelas no céu. A lua também se escondeu. Aqui do quarto posso ouvir a garoa fina que cai lá fora. Esse frio só aumenta o desejo de executar tudo o que planejei para nós.
Basta que eu feche os olhos para ver o seu rosto bem na minha frente. Te tenho gravado aqui. Não tem mais jeito. Você me ganhou.
Está tudo desenhado na minha cabeça. Como seria hoje, amanhã. Não depende de mim. Não mesmo.
É estranho o que sinto agora. Por mais que eu te queira neste momento, não estou amargurada. Talvez a ilusão seja a culpada por isso. Me faz acreditar que você também quer o mesmo, que tudo é uma questão de tempo. Mas que tempo? Não sei. Parece demorar tanto.
Não imagina o que tinha preparado para nós. Não faz ideia do quanto seria bom. Não sabe e nem vai saber. Não vou dizer. Só se você me perguntar e como não fará isso, continuaremos assim, como ontem, como hoje.
Em outra época me enganaria. Já dormiria imaginando como seria amanhã. Passaria o dia todo esperando por uma surpresa. Olhando pela janela para saber quando você chegaria e diria o que tanto quero ouvir. Hoje é diferente. Não estou esperando nada. Amanhã será um dia comum, como outro qualquer. Não vou te esperar. Sei que não virá.
O motivo é simples. Tudo não passou de uma ilusão. Até as coisas mais insignificantes que pareciam indicar alguma coisa, eram apenas aquilo que meus olhos queriam ver. Nada além disso.
É tudo muito claro. Para você não passo de uma pessoa comum. Não sou diferente. Sou apenas mais uma colega, amiga, conhecida... não sei. Caso contrário, não deixaria mais um dia passar.
Uma grande ilusão. Um sonho sonhado só. Não faz mal. Me permiti sonhar.
A ilusão é um dos ingredientes que fazem parte da paixão.

sábado, 5 de junho de 2010

Lágrimas

Parecem frágeis. Inofensivas. Insignificantes. Na verdade, sintetizam tantas coisas.
Não importa o momento, o lugar. Chegam sem pedir licença, demonstrando o quanto somos impotentes diante de algumas situações.
São a expressão máxima de um sentimento. A tradução do indescritível. Decoram rostos de alegria. Simbolizam momentos de felicidade. Formam sombras de decepção. Exprimem uma dor. Fazem parte de um amor.
Teimam em se exibir nas horas impróprias. São capazes de sufocar quando reprimidas.
Estão presentes quando olho ao redor e não vejo mais ninguém. Quando o sol se vai, dando lugar à escuridão da noite e a lua resolve se esconder. Com a aproximação do vendaval que invade o interior de um ser, trazendo o frio da solidão.
Aparecem ao notar que todos os esforços são vãos diante de uma recusa.
Foram testemunhas de momentos em que me escondi dos outros e até de mim mesma.
Evidenciaram minha fraqueza. Materializaram minha mágoa.
Estiveram comigo quando precisei de você e não estava. Me fizeram companhia, enquanto se distraía em outros lugares.
É a única coisa que restou do meu olhar a sua procura.
Externam o sentimento preso num coração fiel e não correspondido.
É a indignação por não ter você mesmo deixando isso tão claro.
Manifestam a raiva por não saber contra quem lutar por você.
É a tristeza por ser incapaz de entregar esse sentimento a quem tem tentado tanto.
Rolaram na noite passada, hoje ao amanhecer e aliviam o aperto que sinto agora enquanto escrevo essas linhas.

terça-feira, 1 de junho de 2010

É Simples. É Não!

O sono fugiu completamente. É incrível como isso está me perturbando.
Há quem diga que sou sonhadora demais. Sou mesmo, não nego.
Há os que reprovam minha postura. Não nasci para agradar a todos.
Não posso ficar com alguém por qualquer outro motivo que não seja um sentimento recíproco. Mais que isso, não quero.
É simples. É não! Não quero. Não gosto. Não consigo. Não vou aceitar.
Posso ser careta, antiquada, boba, mas esta sou eu. Sou assim e não sei se quero mudar.
Mudar para que? Agradar os outros? Não preciso agradar ninguém. Preciso estar feliz e fazer o que julgo melhor. Chega de ladainha!
Não basta que ele seja legal, cheio de qualidades. Ele não conseguiu fazer nada além de ganhar minha simpatia e se começar a pegar no meu pé vai perder até isso.
Não quero um gentleman. Quero um homem capaz de fazer eu me sentir uma adolescente. Dar gargalhadas dos papos mais absurdos. Brigar por me tratar feito uma criança. Me irritar por não fazer o que espero.
Desejo continuar sentindo o frio na barriga quando chega perto. Continuar corando as bochechas quando fala comigo. Continuar tremendo quando toca em mim.
Quer sentir meu coração disparar ao lembrar de você, como agora.
Não quero e não vou aceitar alguém que não me faz sentir isso. Não tem como substituir o que estou sentindo. Até agora, ninguém foi capaz de tirar o lugar que você ocupou.
Vou continuar te olhando e curtindo tudo o que acontece de mais bizarro entre nós.
Não quero e não vou tentar nada. Vou esperar as coisas acontecerem naturamente, como tem sido até aqui. Já evoluímos muito.
Não me importo com as críticas. Continuarei guiada pelo meu coração que, por enquanto, só quer você.